O Brasil na Mudanca Mundial – Jose Luis Fiori
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Descrição
Se a Grã-Bretanha abandonasse o sistema colonial estaria livre das despesas de administração e poderia celebrar tratados comerciais
com as ex-colônias […]. Este gesto nos favoreceria tanto na guerra como no comércio, fazendo com que as colônias deixassem de ser súditos
turbulentos e se transformassem em nossos aliados mais fiéis, afeiçoados e agradecidos…” *
Adam Smith
1. A CONJ UNT URA , A S GRA NDE S P OT Ê NCIA S E O “RE S T O DO MUNDO”
Para uma economia política internacional, preocupada com as estruturas históricas de longo prazo, o mundo ainda vive a conjuntura
inaugurada pela crise monetária e geopolítica do poder americano, na década de 70. Mas não há duvida que ocorreu um corte fundamental na
década de 90, com o fim da União Soviética e a vitória norteamericana na Guerra Fria, com a aceleração do processo de globalização
financeira e com o crescimento acelerado e quase exclusivo da economia norte-americana. Foi o período em que o mundo liberal comemorou a
sua vitória política e econômica, e alguns inclusive acreditaram que havia chegado a hora da “paz universal”. Depois, no início do novo século,
esvaziou-se a “bolha financeira”, a economia americana perdeu fôlego e o poder e a guerra retornaram ao centro do sistema mundial. E agora,
em 2003, o mundo e os próprios anglo-saxões estão perplexos frente a estagnação de quase toda a economia mundial e frente à impotência e
ao despreparo demonstrado pelos Estados Unidos, face à suas novas responsabilidades imperiais, no Afeganistão e no Iraque.
Os primeiros sinais da crise econômica já vinham do final da década de 90, e a mudança da política externa americana já vinha sendo
anunciada desde a posse do presidente Bush, em janeiro de 2001. Mas não há duvida que os atentados do 11 de setembro, e as duas guerras
posteriores aceleraram os acontecimentos, provocando uma ruptura de tal ordem que hoje, a “era Clinton” já parece um passado longínquo, uma
verdadeira época de ilusionismo coletivo, embalada pela utopia da globalização e da paz universal dos mercados. Talvez por isto, Condolezza
Rice tenha afirmado, depois dos atentados de New York e de Washington, que o mundo estava vivendo um “momento transformativo”, igual ao
que viveu entre 1945 e 1947, quando foram negociadas e estabelecidas as bases econômicas e políticas da ordem mundial posterior à II Guerra.
Mas se isto for verdade, quem está participando desta negociação e qual será a nova geometria mundial do poder e da riqueza ?






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