King Kong e cervejas – Fabricio Corsaletti.

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Descrição

Sentado no parapeito da janela, fumando escondido do pai, um menino passa os olhos pelo quintal da casa interiorana e lembra que certa vez enterrou ali “uma estrela de xerife pra procurar vinte anos depois”. Mal sabe, mas marcou um encontro consigo mesmo para dali a duas décadas. Chegada a hora, o menino que virou narrador comparece ao compromisso. Não há como saber se encontra a estrela; o certo é que volta da expedição ao próprio passado com as histórias de King Kong e cervejas, estréia na prosa do poeta Fabrício Corsaletti.
O título irreverente avisa de saída que nostalgia não é o forte do livro. Na dúvida, o narrador confirma com todas as letras que não é do tipo que cultiva o passado. Na ficção como na poesia, Corsaletti segue impermeável a toda pose de melancolia ou desencanto, e dessa impertinência simpática vem a graça singular do livro.
Para que essa graça se declare ao leitor, não é preciso aumentar nem diminuir pessoas e lugares. Basta um ligeiro descompasso entre a vida interiorana e o narrador, que “demorava um pouco pra entrar” em tudo, fosse numa cachoeira ou num baile de Carnaval. Dessa demora mínima nasce o olhar que fixa, com humor, precisão e afeto, as feições fugidias do muito que acontece entre a infância, “o começo do mundo”, e a “última noite”, às vésperas da partida para a cidade grande. Nascem daí os vultos dos amigos, as histórias de amores mais ou menos virtuais, os retratos da avó boa de cafuné e do avô que dava “tchau de peão” – a experiência viva e pessoal voltando à tona como uma “flor imensa d’água, um excesso do mundo”.

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