Isaac Asimov Magazine 22 – Magazine.
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Descrição
Já me cansei de repetir que escrevo apenas por instinto e não há nada de intencional ou deliberado no que faço. Assim, não posso deixar de
me admirar quando as pessoas analisam meus trabalhos e descobrem todo o tipo de detalhes sutis que não me lembro de haver incluído, mas
que devem estar lá, caso contrário os críticos não poderiam encontrá-los e chamar a atenção para eles.
Entretanto, nunca fiquei tão surpreso quanto recentemente, quando estava lendo um artigo sobre ficção científica (não me lembro onde foi e por
quem foi escrito, porque ao chegar à passagem a que vou me referir fiquei tão irritado que joguei a revista fora). Ao chegar à minha pessoa, o
articulista declarou que meu estilo era pobre, meus diálogos forçados, meus personagens muito mal descritos, mas não havia dúvida de que
meus livros eram “viradores de páginas”. Na verdade, disse ele, dos autores contemporâneos de ficção científica, era eu que havia produzido o
maior número de “viradores de páginas”.
Só depois de jogar a revista fora e dizer alguns palavrões, foi que comecei a pensar no que lera. O que o articulista dissera não parecia fazer
sentido. Naturalmente, ele podia ser um idiota, mas suponhamos, para efeito de discussão, que não fosse. Nesse caso, se meu estilo, meus
diálogos e minhas descrições dos personagens deixavam muito a desejar, como meus escritos podiam ser “viradores de páginas”? Por que o
leitor teria vontade de virar a página (isto é, continuar a ler) se a história que estava lendo não tinha nada para recomendá-la?
O que faz uma pessoa continuar a ler um texto qualquer? A razão mais óbvia é o “suspense”. O leitor não sabe o que vai acontecer em seguida,
e está doido para descobrir.
É evidente que nem todas as obras literárias utilizam o recurso do suspense. Ninguém lê os sonetos de Shakespeare para experimentar algum
tipo de suspense. Ninguém espera encontrar suspense nos livros de P.G. Wodehouse. Todo mundo sabe que Bertie Wooster vai conseguir se
safar da situação ridícula em que se encontra, e na verdade ninguém está interessado no desfecho da trama; tudo que o leitor deseja é um
pretexto para dar umas boas gargalhadas.






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