Barranco de cegos – Alves Redol
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Descrição
Não era por seu gosto que o funeral se encaminhava para o cemitério de Aldebarã. Nem todos os mortos merecem a mesma sepultura, essa é que é a verdade, por muito que doa aos vivos. Na morte não somos não, não somos todos iguais. Nem sequer perante Deus, tinha a certeza. Se Deus não dorme…
A terra daquele cemitério era sua, como a aldeia e tudo o que lhe ficava à volta. E ali era ele quem mandava, não precisara de o lembrar à filha. Já marcara o lugar para o genro − seria metido num dos jazigos da família, no dos aparentados ao pé das mulheres, das crianças e dos homens; de certos homens que disso pouco mais tinham do que o corpo. De cova aberta no chão, bem funda, só os que davam à terra o que ela merecia.
Tradição herdada do avô, não seria ele quem iria traí-la, porque ali estava, sozinho podia dizê-lo, desde os quinze anos, de dentes cerrados e corpo jogado para diante na mesma luta sem quartel.






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