Amores _ Arte de amar – Ovidio

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Descrição

Para o poeta latino Ovídio, o amor é uma técnica que, como toda técnica, pode ser ensinada e aprendida. Isso, porém, não é simples: “São variados os corações das mulheres; mil corações, tens de apanhá-los de mil maneiras”, ele diz. Essas “mil maneiras” são ensinadas em sua Arte de amar, uma espécie de manual do ofício da sedução, da infidelidade, do engano e da obtenção do máximo prazer sexual, elaborado a partir das experiências vividas pelo poeta e descritas em Amores. Autoproclamado mestre do amor, Ovídio versa sobre as regras da procura e da escolha da “vítima” (o espaço, a ocasião, as ações e o comportamento apropriados para a conquista), o código de beleza masculino, o desejo da mulher (que acredita ser mais ardente do que o do homem), o ciúme, o domínio da palavra escrita e falada, o poder do vinho como aliado na sedução, o fingimento, a lisonja, as promessas (principalmente as vazias), os homens que devem ser evitados, como presentear, a técnica da carícia e os caminhos do corpo feminino, seguidos da necessidade de concórdia, paciência e alternância entre insistir e ceder. Seus poemas quase didáticos renderam-lhe fama nos salões de um Império Romano então voltado aos prazeres sensoriais e, ainda hoje, têm notável atualidade. A edição da Penguin-Companhia das Letras tem tradução e introdução de Carlos Ascenso André, professor de línguas e literaturas clássicas da Faculdade de Letras de Coimbra, e apresentação e notas do inglês Peter Green, escritor, tradutor e jornalista literário. Rica em detalhes históricos e com todas as polêmicas que cercam a vida do autor, como a sua expulsão de Roma, os escritos perdidos e sua vida pessoal, a introdução de Peter Green, que demorou doze anos para ser escrita, é uma espécie de biografia do poeta, que ajuda o leitor a entender a atualidade destes poemas escritos há cerca de dois mil anos. “A relação a dois implica uma densa rede de enganos, de traições, de ciladas, de encruzilhadas, onde homem e mulher se divertem nas teias da sedução e do engano mútuos, onde homem e mulher se detêm a aprender e delinear ludicamente táticas de perversão.” – Carlos Ascenso André “A todas as histórias o meu amor é capaz de adaptar-se. Uma idade jovem seduz-me, uma idade mais madura toca-me; aquela por ter mais beleza de corpo, esta por possuir sabedoria. Enfim, as mulheres que podem apreciar-se em toda a cidade de Roma, a todas elas pode o meu amor abranger.” – Trecho de Amores

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