A arte cavalheiresca do negro – Haendel Motta.
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Descrição
Quando criança, fiz capoeira por um período de tempo que não me recordo bem, mas que fora bastante o suficiente para que eu
pudesse assimilar sua ginga. Recordo-me que, um bom tempo após ter parado de praticar, brinquei por alguns instantes numa roda de amigos
e, para minha surpresa, ela ainda estava lá. Foi no terceiro ano da faculdade de psicologia quando resolvi retomar meu contato com a capoeira.
Procurei uma academia que me pareceu típica dos moldes da tv, me apresentei ao mestre e pedi para assistir sua aula. Lá permaneci
entristecido durante todo o treino: alguma coisa se perdera naquele espaço. Parecia atravessado de um modelo de consumo que encaixotava a
capoeira num tipo de esporte ou de luta, negligenciando em muito sua pulsação original.
Retornei, então, a academia de meu antigo mestre, Mestre Aranha, um negro azul, que também era percussionista de um grupo
profissional de samba. O que vi lá? Gente, no sentido mais puro, gente humilde. Só haviam, comigo, dois homens brancos e um casal, de resto,
eram todos jovens negros de minha idade, alguns morando no quartel militar e outros, em sua maioria, inclusive o mestre, no morro do Cavalão,
favela da lateral esquerda de Icaraí (Niterói, RJ), bairro onde residia. Decidi, portanto, que se fosse para aprender capoeira, o faria no meio dos
negros.






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