Oscar Wilde – Salvatore Schiffer.

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Descrição

A criança que nasceu no dia 16 de outubro de 1854 em Dublin, na Westland Row, número 21, e que o mundo logo iria conhecer como o glorioso Oscar Wilde – tanto por seu
gênio literário quanto por suas aventuras mundanas – tinha inicialmente um nome com consonâncias ainda mais prestigiosas: Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde. Pois foi assim
que seus pais, William Robert Wilde e Jane Francesca Elgee – ambos pertencentes à antiga burguesia irlandesa protestante e fervorosos nacionalistas –, chamaram seu segundo
filho, batizado com esse patrônimo pelo reverendo Ralph Wilde, seu tio paterno, em 26 de abril de 1855.
De fato, tal nome de batismo traduz toda uma doutrina, enraizada num poderoso contexto histórico. Oscar, na mitologia céltica, é o filho de Ossian, rei de Morven, na Escócia;
enquanto Fingal, irmão de Ossian, é um herói do folclore irlandês – em torno do qual James Macpherson criou, em 1760, seu fabulário gaélico[2], antes de compor, em 1762, sua
série epônima de poemas épicos[3]. O’Flahertie é o nome genérico dos reis pré-normandos do condado de Connaught, às margens do lago Connemara, do lado ocidental da Irlanda.
Essa genealogia é corroborada – num artigo tardio (1909) dedicado a Wilde – por outro célebre autor irlandês: James Joyce2. Quanto ao quarto nome, Wills, trata-se de um dos nomes
do próprio pai de Oscar Wilde, descendente de um ilustre e destemido guerreiro batavo. Pode-se imaginar que essa encantadora sucessão de antropônimos – espécie de aliteração
poética extemporânea – ressoava no espírito do jovem Wilde como um eco das velhas lendas: histórias das quais a Irlanda sempre se orgulhou, embebidas na memória popular e
transmitidas pela tradição oral.

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