Isaac Asimov Magazine 09 – Magazine.
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Descrição
Em 1516, o humanista inglês Thomas More (1478-1535) publicou um livro (em latim) com um título comprido (como era moda na época)
também em latim. Quando finalmente foi lançada a primeira edição cm inglês, em 1551, o título era A fruteful and pleasaunt Worke of the beste
State of a publyque Weale, and of the newe yle, called Utopia (“Um trabalho proveitoso e agradável a respeito do melhor Estado de assistência
social e da nova ilha chamada Utopia”). Vamos nos referir ao livro simplesmente como Utopia.
No livro, More descreve o que considera como a sociedade ideal, encontrada na ilha-nação de Utopia, que é governada inteiramente segundo
os ditames da razão. Ele descreve uma sociedade tão nobre e racional que chega a ser invejável, mesmo pelos padrões de hoje.
Entretanto, More não tinha ilusões quanto ao mundo real. A palavra “Utopia” vem do grego “ou” (“não”) e “topos” (“lugar”), de modo que significa
“Lugar Nenhum”. Em outras palavras, More sabia perfeitamente que a sociedade ideal que havia imaginado não existia em nenhum lugar da
Terra (como não existe até hoje). Na verdade, seu livro, ao descrever a sociedade ideal, servia também, por comparação, para denunciar os
governos do seu tempo, particularmente o de sua terra natal, a Inglaterra, que, naturalmente, era o que conhecia melhor.
Acontece que os leitores da obra de More cometeram um erro bastante compreensível. Como a Utopia descrita no livro era um lugar
maravilhoso, imaginaram que a primeira sílaba era derivada do prefixo grego “eu”, que significa “bom”. Assim, em vez de “lugar nenhum”, Utopia
passou a ser o “bom lugar”.
A palavra “utopia” entrou na língua inglesa, e em muitas outras, como sinônimo de sociedade ideal. O adjetivo “utópico” é usado para designar
qualquer plano que tem em vista um objetivo louvável, mas que não pode ser executado na prática.
Podemos falar de uma literatura utópica: obras que descrevem sociedades ideais, entre as quais a de More é uma das mais conhecidas, mas
não a mais antiga. A República de Platão descreve, 19 séculos antes da Utopia, um regime de governo baseado na razão. Antes mesmo de
Platão, podemos encontrar referências a sociedades ideais em obras mitológicas e religiosas, na forma de Idades de Ouro no passado ou de
futuras Idades Messiânicas.






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