Isaac Asimov Magazine 06 – Magazine.
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Descrição
Tenho dito muitas vezes, em palestras e artigos, que o escritor competente de ficção científica evita incluir em suas histórias qualquer coisa que
seja cientificamente impossível. Entretanto, nem sempre consigo obedecer à risca a este preceito; certos artifícios oferecem possibilidades
dramáticas tão ricas que me vejo tentado a ignorar o fato de que envolvem acontecimentos extremamente improváveis. O exemplo mais gritante
que me ocorre é o das viagens no tempo.
É possível imaginar uma variedade infinita de situações interessantes se permitirmos que um ou mais personagens se desloque ao longo do
eixo dos tempos. Eu, por exemplo, já escrevi muitas histórias a respeito de viagens no tempo, entre elas um romance, O Fim da Eternidade.
Não é difícil escrever uma história sobre viagens no tempo do tipo “água com açúcar”, fazendo o personagem se mover na mesma direção em
que todos nós nos movemos (do passado para o futuro) e tornando-o inconsciente durante a viagem, seja por estar dormindo, seja por estar em
estado de “animação suspensa”, possivelmente em um banho de nitrogênio líquido. Melhor ainda, você pode recorrer a idéias relativísticas e
fazer com que o personagem seja transportado para o futuro movendo-se com velocidade próxima da luz ou através de um campo gravitacional
muito intenso, o que faz o seu “tempo subjetivo” andar mais devagar.
Esses são artifícios plausíveis, que não abalam a estrutura do Universo, mas envolvem apenas viagens de ida, sem retorno possível. Usei um
deles em 827 Era Galáctica, onde recorri a uma lei natural desconhecida (e não especificada) envolvendo a fissão nuclear, que na época ainda
era novidade. Isto era um ponto fraco da história, mas passei por ele logo nas primeiras páginas e não voltei mais ao assunto, na esperança de
que niguém notas-se. (Infelizmente, não foi o que aconteceu.) O mesmo artifício pode ser usado para dar vários saltos, todos para o futuro, ou
para trazer alguém do passado para o presente.






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